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Como tornar a minha horta bio?

Para os que se querem “converter” à Agricultura Biológica, há que realçar que esta atividade implica uma visão holística do processo agrícola. Optar por fito fármacos ou fertilizantes biológicos é um passo importante, mas se queremos ter sucesso ao implementar uma horta bio, temos que mudar o chip e passar a observar, entender e aprender com a Natureza. A Agricultura Biológica ensina-nos a:

prevenir em vez de reagir; respeitar em vez de controlar
e preservar em vez de destruir.

Métodos como a rotação de culturas, a compostagem, a cobertura vegetal ou as consociações devem passar a fazer parte do dicionário de um Agricultor Biológico. Mas não compliquemos demais à partida, vamos por partes:

 

 

Faça uso da rotações de culturas na sua horta bio.

Plantar sempre o mesmo tipo de legume no mesmo solo esgota os nutrientes e pode trazer problemas para a sua horta bio. Cada planta “marca o solo” de uma forma diferente e, enquanto algumas espécies podem aumentar a fertilidade deste, outras há que contribuem para o seu empobrecimento. Batatas e repolhos, por exemplo, são mais exigentes do ponto de vista nutritivo do que cenouras e cebolas. A rotação de culturas é utilizada pelos produtores biológicos para manter a saúde do solo, proporcionar colheitas fortes e evitar pragas e doenças. Como o próprio nome indica, o objetivo é fazer circular culturas de famílias diferentes, pelo mesmo terreno.

O primeiro passo é dividir o espaço de cultivo num mínimo de três sub-áreas, no caso de canteiros ou camas de cultivo como as da Noocity, poderá utilizar três camas de cultivo diferentes. A rotação deverá ser anual, no caso de três camas de cultivo a troca ocorreria ao longo de três anos, variando o tipo de cultura de cada espaço a cada ano. Por exemplo, se ao longo do primeiro ano plantar na cama de cultivo 1 diferentes tipos de raízes (beterraba, cenouras ou cebolas), dedicar a segunda cama a couves (brócolos, couve kale ou couve coração) e deixar a 3ª cama de cultivo para as leguminosas (feijões, ervilhas ou vagens). No ano seguinte, deverá então cultivar as raízes na 2ª cama de cultivo, as couves na 3ª e deixar a primeira cama de cultivo para as leguminosas.

 

 

Uma horta bio precisa de boas associações.

Combinar de forma inteligente diferentes tipos de culturas na sua horta pode gerar resultados surpreendentes! Como já vimos, as espécies podem competir entre si pelo espaço, nutrientes ou humidade e esgotar os recursos existentes. Uma boa combinação de espécies, além de optimizar o espaço, pode mesmo ajudar a evitar algumas pragas e doenças. Lembremo-nos que a Natureza é diversa e equilibrada e que, talvez por isso, seja extremamente benéfico para a horta conjugar diferentes culturas. Pensemos numa floresta, na densidade de vegetação e na forma como diferentes espécies coabitam em harmonia sem qualquer intervenção! A intenção da agricultura biológica é, em certa medida, mimetizar essa relação e integrar plantas com alturas, ciclos e tamanhos diferentes. O resultado é um ecossistema completo, diverso e equilibrado.
Para tirar o maior partido da policultura, o agricultor biológico deverá ter em atenção que associações de plantas são benéficas ou menos boas para a sua horta. Prometemos aprofundar, em breve, este assunto, mas para já deixamos algumas referências de boas companhias para a sua horta! O Tomate e o Manjericão são um casal inseparável, ambos gostam de sol e de bastante água e, além de dar ao tomate um travo especial, o manjericão protege-o de alguns insectos como a mosca branca. Plantar Cenouras com Alho-francês também pode ser uma boa ideia, já que o último dissuade a mosca da Cenoura, enquanto que o primeiro repele a mosca e a traça da Cebola. Outra dica é plantar um pé de hortelã numa das extremidades da sua horta para evitar uma invasão de formigas.

 

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Tire partido da compostagem

A compostagem consiste no processo de decomposição de materiais orgânicos e resulta num húmus rico em nutrientes, livre de agentes patogénicos e de sementes de infestantes. Um fertilizante biológico de excelência que deverá ser incorporado no substrato antes de cada ciclo de cultivo. Para fazer uma escolha realmente sustentável importa, no entanto, conhecer os diferentes tipos de composto!

O vermicomposto é, como o próprio nome indica, produzido através da ação das minhocas sobre a matéria orgânica vegetal e é muito rico em nutrientes com excelente capacidade de retenção de água. O composto animal é à base de estrume e possui diferentes características consoante a espécie. O composto de cavalo atrai vermes e aumenta a fertilidade do solo enquanto que o composto de galinha é uma óptima fonte de Azoto.

O chamado composto de jardim pode ser feito por qualquer um desde que num recipiente adequado. A combinação de camadas, intercalando materiais ricos em nitrogénio e materiais ricos em carbono (os verdes e os castanhos respectivamente) irá decompor-se por ação da humidade, do calor e dos vermes. Os materiais chamados “verdes” são cascas, restos de frutas e legumes (não cozinhados), a borra de café, as cascas de ovo, a relva ou os sacos de chá, por exemplo. Os materiais chamados “castanhos” podem ser folhas secas, ramos, serrim, cartão, papel ou palha.

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Kit Horta em Casa

Uma mercearia bio na varanda de sua casa.

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