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Microbioma humano e os benefícios do contacto com a terra.

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O reconhecimento da influência dos intestinos para uma saúde equilibrada, veio com o consenso da comunidade científica e com os sucessivos livros que foram sendo publicados sobre o tema. O microbioma humano é, afinal, fundamental para um sistema imunitário resistente. Nutri-lo com os alimentos certos é a chave. Isto significa evitar alimentos processados, intoxicados por hormonas e químicos de síntese, dando especial atenção aos probióticos.

Estes microorganismos que temos no nosso corpo são uma das caraterísticas que nos aproxima da Natureza. O microbioma humano está para as pessoas como o microbioma da terra está, obviamente, para o solo. Da mesma forma que temos milhões e milhões (e milhões e milhões) de seres vivos a habitar o nosso corpo, também é assim na Natureza. E, tal como acontece no caso dos humanos, estes seres vivos podem ser bons ou maus. E, tal como acontece com o microbioma humano, para preservamos o microbioma da terradevemos concentrar-nos no alimento que lhe damos e na forma como a acarinhamos. O segredo reside aí.

 

O microbioma da terra influencia o microbioma humano.

Os dois microbiomas tocam-se e influenciam-se. Donata Vercelli, professora de Medicina Celular e Molecular da Universidade do Arizona, estuda a forma como estas bactérias afetam a nossa saúde. O interesse, segundo relatou ao “The Washington Post”, surgiu depois de saber que crianças que cresciam em quintas na Alemanha tinham menos alergias e asma do que aquelas que cresciam em zonas urbanas.

A docente decidiu, então, reunir uma equipa de investigação para estudar o fenómeno. “O que estamos a descobrir é que viver nesses ambientes agrícolas tradicionais significa viver num lugar extremamente rico em micróbios — os micróbios certos com os quais o nosso sistema imunitário evoluiu para viver e aprender com eles.”

A investigadora explicou ao mesmo jornal que a “constelação” de microorganismos encontrados no solo destas quintas programou a forma como uma criança responde a agentes alergénicos ao longo da vida. Esta programação do microbioma humano pode começar mesmo antes dela nascer. É que é ainda no útero da mãe que o sistema imunitário começa a formar-se e é depois capaz de regular as emoções, a resposta imunitária a agentes patogénicos.

 

O solo e o microbioma humano contém o mesmo número de microorganismos.

Tendemos a distanciar-nos da Natureza, mas a realidade é que somos parte dela. Somos muito semelhantes — e dependentes (unilateralmente). Basta refletir sobre um estudo de 2019 que veio demonstrar que o solo e o intestino humano contêm aproximadamente o mesmo número de microorganismos ativos — são triliões e incluem desde bactérias a fungos. No entanto, a mesma investigação veio dizer que o microbioma humano diminuiu drasticamente com o estilo de vida moderno, muito por causa do ambiente das cidades, da perda de contacto com o solo, dos alimentos repletos de pesticidas, antibióticos e até hormonas. O cocktail urbano é pouco amigo do nosso microbioma, tendo sérios efeitos na nossa saúde.

O mesmo estudo refere que o ambiente em que vivemos é um fator fundamental na constituição do microbioma humano, afirmando que o solo é capaz de comunicar diretamente com as nossas células e desta forma fazer aumentar o respetivo teor nutricional.

Somos aquilo que comemos e somos o estilo de vida que praticamos. O microbioma do solo está ligado ao microbioma dos intestinos, pois fornece-lhe os microorganismos certos e torna-os mais fortes. Como tal, é essencial escolhermos as fontes alimentares certas. E, neste sentido, é igualmente fundamental pormos as mãos na terra e sabermos “ouvir” o que nos quer “dizer”.

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