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Passar tempo na Natureza pode influenciar a nossa vida profissional?

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por Olivia Köhler

Temos vivido tempos difíceis, fora do “normal”. No último ano e meio, fomos obrigados a abrandar e a restringir a forma como aproveitamos o tempo livre. No entanto, para muitos de nós, foi um momento de redescoberta da Natureza como espaço de bem-estar, mesmo em plena cidade. Os parques, a praia, a floresta ou a montanha passaram a ser o nosso lugar de refúgio e conforto.

 

Para os que ainda tinham dúvidas, confirmou-se que passar tempo ao ar livre ajuda a renovar energias e a restaurar o estado de espírito. Um momento para desligar da rotina habitual. E tais certezas não se cingem à experiência vivida, já que são cada vez mais os estudos científicos que comprovam os benefícios que o contacto com a natureza traz para o bem-estar físico e mental.

 

 

A Natureza como terapia

O poder curativo da floresta, é motivo de pesquisa desde a década de 1980. No Japão, foi até criado um termo especial para isso “Shinrin-yoku”, que significa banho ou imersão na floresta e, esta prática, foi, entretanto, reconhecida como um tratamento terapêutico. Um estudo de 2010, publicado na Environmental Health and Preventive Medecine, comprovava como a pressão arterial e os níveis de cortisol dos participantes que caminharam por uma floresta eram mais baixos do que os daqueles que caminharam pelo ambiente urbano.

 

Os lagos e o mar também têm um efeito semelhante na nossa saúde. Os ambientes aquáticos deixam marcas poderosas no nosso corpo e na nossa mente. Só de olhar para eles, já temos uma experiência multissensorial e visualmente estimulante, com milhares de tons de azul em constante movimento. As ondas do mar, por exemplo, libertam íons negativos que aceleram a capacidade do nosso corpo de absorver oxigênio e equilibram os níveis de serotonina, substância química produzida pelo organismo relacionada ao bem-estar. O próprio cheiro ou som da água podem influenciar as nossas emoções, a autorreflexão e aumentar a sensação de bem-estar.

Como podemos ver, experimentar a natureza tem vários efeitos positivos. Além de funcionar como antisstress, melhorando o nosso estado de espírito e humor, contribuindo para pensamentos mais positivos, o contacto com a natureza reforçar também o nosso sistema imunológico e pode aumentar a nossa capacidade de concentração. Estes são alguns dos efeitos comprovados cientificamente.

 

Quando olhamos para os povos indígenas, por exemplo, vemos que o papel da natureza não é só o de fonte de bem-estar, mas sobretudo fonte de conhecimento. Geralmente, durante acontecimentos importantes, dúvidas ou crises no grupo, um indivíduo parte sozinho para passar alguns dias na Natureza, se recompor, encontrar o equilíbrio e regressar à comunidade com uma proposta de solução. Este exemplo mostra uma possibilidade de relação viva e de interconexão entre seres humanos e o espaço natural, algo que está profundamente enraizado na nossa história.

Não é, então, de estranhar que o som do mar nos transmita “algo mais” nem que o simples facto de sentirmos o vento na cara nos deixe mais calmos. É, aliás, natural que já tenha experimentado algo semelhante. A verdade é que, quando estamos no topo de uma montanha ou quando caminhamos num extenso areal, iniciamos um processo interno específico que se desdobra em memórias, pensamentos e possibilidades dentro de nós. Estes são apenas alguns exemplos do que podemos experimentar quando nos aproximamos da Natureza. Uma profunda conexão com o nosso ecossistema, um espaço para entrar em contacto connosco e com a nossa natureza interior.

É precisamente por isso que se interessa o campo da terapia sistémica na natureza – o ser humano dentro do espaço natural. Assim, agora mais do que nunca, é importante abrirmos espaço para que tal aconteça – mesmo que o nosso ambiente sejam as cidades e as empresas. Na abordagem sistémica clássica, que é a abordagem de terapia e aconselhamento mais difundida e praticada para além da psicanálise e da terapia comportamental, entende-se o ser humano em interação com as suas constelações sociais. Paralelamente, na terapia sistémica aplicada à natureza, esta interação não está exclusivamente ligada aos sistemas humanos, mas também aos sistemas naturais.

 

Experimentar a Natureza em pleno

Para experimentar a Natureza como uma contrapartida viva, devemos tentar uma imersão total e praticar a atenção plena. Infelizmente, sabemos que nem sempre é possível no dia a dia das grandes cidades. Mas, efetivamente, esta abordagem defende que devemos aprender a estar no espaço que nos rodeia, no momento presente e que saibamos observar, de modo a alcançarmos uma experiência autêntica e com verdadeiro sentido. Ao conseguirmos fazê-lo, estaremos a abrir portas a novas perceções. Familiarizamo-nos com o nosso corpo, treinamos a atenção da nossa mente e somos encorajados a encontrar o um espaço para além do físico. Dessa forma, podemos encontrar respostas para várias questões, podemos ouvir a nossa intuição, tomar decisões com mais clareza e estabelecer um sentimento de pertença que reforça a nossa resiliência física e emocional.

 

No entanto, vivemos atualmente uma vida acelerada, rodeados de tecnologia, constantemente disponíveis e expostos a estímulos que nos chegam de todo o lado. Isso levou-nos a um maior distanciamento e alienação, em contraste com a tão desejável conexão com a Natureza. Por milhares de anos, nós humanos, vivemos num ambiente natural. Pelo menos por 10.000 gerações, vivemos em pequenos aglomerados rodeados de natureza. Por, pelo menos, 500 gerações cultivamos os campos e criamos animais. Tudo isto foi mudando lentamente, mas não há mais de 200 anos, por isso é natural que o desejo de estar ao ar livre esteja dentro de nós!

 

Trazer-la para perto de nós

Assim, agora mais do que nunca, é importante abrirmos espaço para que tal aconteça – mesmo que o nosso ambiente sejam as cidades e empresas. Por exemplo, estar com a equipa de trabalho na Natureza, pode favorecer as relações entre todos, devido aos efeitos positivos, exercidos ao nível do bem-estar físico e mental de cada um. Além disso, abrimos espaço para nos conectarmos connosco próprios, e consequentemente com a equipa, num nível totalmente diferente.

 

Vivemos e trabalhamos em tempos onde a colaboração e a comunicação são, mais do que nunca, fundamentais. Estar realmente presente com alguém na Natureza e compartilhar experiências, faz com que criemos uma excelente base para trabalhar em conjunto e manter uma comunicação qualitativa. Além disso, em tempos onde a inovação e a criatividade são tão importantes, podemos aprender com a Natureza novas formas de trabalhar. Seja na floresta, na praia ou na horta, podemos observar como a Natureza está em constante adaptação e mudança – sem planear ou analisar grande coisa.

 

A natureza é diversidade, é flexível e adapta-se facilmente a novas situações. Nós, humanos, gostamos de assegurar o incerto, fazer previsões, planear, de forma a reduzir o risco. Na verdade, podemos estar a reduzir a inovação e criatividade: as mesmas formas de pensar, os mesmos processos, pouco espaço para a espontaneidade. A natureza ensina-nos que, para ser ágeis, temos que desenvolver de forma diversa o aqui e agora e conquistar o novo com curiosidade.

 

Portanto, mantenha-se curioso e explore –  dentro da sua empresa, junto da sua equipa e ao ar livre!

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